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Sorgo bom de álcool
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Cultivares são estudados para produzir combustível durante a entressafra da cana-de-açúcar.

 As últimas experiências com o álcool da cana-de-açúcar doeram nos bolsos dos consumidores brasileiros. Se antes o combustível alternativo era uma opção viável para quem tem veículos equipados com motores flex, no início do ano o que se viu foram preços nada estimulantes. Pesquisa da Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, joga luzes sobre o tema, com o estudo de 25 novos cultivares de sorgo sacarino para produção de álcool, a ser lançadas até 2012. Os trabalhos começaram ainda na década de 1970.

 

Segundo o pesquisador da Embrapa Robert Shafert, o sorgo sacarino é uma verdadeira usina de energia, com um grande potencial para produção de combustíveis. Além do período menor de plantio - são três a quatro meses até a colheita -, o produto exibe eficiência maior. "A produção de cana chega a 100 toneladas ao ano, ou seja, menos que 10 toneladas por mês. Já o sorgo tem produtividade de 60 toneladas em quatro meses, ou 15 toneladas ao mês", afirma. Da mesma forma, os cultivares estudados pela empresa apresentam alta produção de biomassa, e, desta forma, toda a planta pode ser usada para a produção de etanol. Nada será desperdiçado, já que os resíduos servem como biofertilizantes ou mesmo à alimentação animal. 

 

O pesquisador chama a atenção para o período ideal de plantio e colheita do sorgo. "A época recomendada para começar a plantar é o início das águas, aqui entre o fim de setembro e início de outubro. A colheita virá em janeiro, na entressafra da cana-de-açúcar", explica Shafert. Dentre os várias cultivares, dois se destacam por sua maior produtividade, os BRSs 506 e 507. "Em geral, são poucos os genes que controlam as diferenças de caldo gerado", revela Shafert. A nova fase dos estudos procura desenvolver linhagens de sorgo sacarino híbridos além de identificar os marcadores genéticos para medir a quantidade de caldo fornecido pelos cultivares.

 

Enquanto o álcool produzido pelo sorgo sacarino não chega no varejo, quem pode se beneficiar com a produção são os pequenos e médios agricultores. Com um pouco de investimento, seja individual ou por meio de cooperativas, é possível adquirir uma biorrefinaria, para produzir o próprio combustível, para ser usado no maquinário das fazendas e mesmo em tratores.

 

 Durante a 3ª Semana de Integração Tecnológica, realizada na Embrapa Milho e Sorgo na última semana, em Sete Lagoas, a indústria Usinas Sociais Inteligentes (USI), do Rio Grande do Sul, mostrou um pouco do processo dos combustíveis em microdestilarias. O técnico Clésio Flores Lutz contou que o modelo de biorrefinaria começou a ser desenvolvido há cerca de três anos, destinado, principalmente, aos pequenos e médios produtores.

 

Todo o processo, da colheita ao produto pronto, leva apenas três dias, e o resultado é um álcool puro, sem aditivos ou corantes e com graduação entre 95 e 96 graus GL, que pode ser consumido diretamente nos motores, inclusive de carros. "O álcool produzido com o sorgo na Embrapa é o mesmo da cana. Tem o mesmo cheiro", afirma. Há diversos tamanhos de refinarias e a produção pode variar entre 500 litros e cinco mil litros por dia.

 

Fonte: Jornal Estado de Minas Gerais